POESIA, FOTO, ARTES & AFINS
PHOTO: PANTERA NEGRA, LUCAS PRADO

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POÈME: LYA LUFT
Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade.
Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança.
Eu, (..........), sou assim.
Pelo menos assim quero fazer: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper.
A máscara do Arlequim não serve apenas para o proteger quando espreita a vida, mas concede-lhe o espaço de a reinventar.
Desculpem, mas preciso lhes dizer:
EU quero o delírio
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PELÍCULA: MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS - PEDRO ALMODÓVAR
Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988) é um dos filmes de maior sucesso de Almodóvar e o primeiro a lhe garantir reconhecimento internacional, assim como sua primeira indicação ao Oscar (Melhor Filme em Língua Estrangeira). O filme acompanha dois dias na vida de Pepa (Carmen Maura), uma atriz/dubladora que se vê às voltas para encontrar o amante que a abandonou. Neste filme, é possível identificar muitos dos elementos que fazem parte do estilo único de Almodóvar. O cineasta combina o melodrama à comédia farsesca, flertando constantemente com o absurdo e o nonsense. Os diálogos rápidos e as tiradas cômicas nos fazem lembrar as comédias hollywoodianas do anos 50. O resultado é uma obra-prima deliciosamente divertida.
Como um grande admirador do cinema clássico, Almodóvar faz em seus filmes diversas referências e homenagens à era de ouro de Hollywood, seja estilisticamente ou por alusões diretas. Uma das primeiras cenas de Mulheres..., mostra a dublagem de Johnny Guitar (famoso faroeste americano protagonizado por Joan Crawford, que interpreta uma das personagens femininas mais fortes do cinema clássico americano). Na cena em que Pepa observa os moradores de um prédio, temos, ao que tudo indica, uma outra homenagem, desta vez, a Janela Indiscreta, de Hitchcock, com direito à presença da bailarina sensual. Existe uma dimensão metalinguística no filme, uma vez que o mundo cinematográfico está também presente na narrativa e que Pepa e Iván se utilizam de seus talentos como atores para enganar e convencer os outros personagens.
Geralmente, os filmes de Almodóvar são facilmente identificáveis. Dos diretores contemporâneos, ele é um dos que imprime mais fortemente um estilo e uma identidade visual as suas obras. Em Mulheres..., Almodóvar não teme o exagero e abusa de uma paleta variada de cores fortes, com destaque para o vermelho quase sempre associado à protagonista. O filme é um carnaval de estampas, cores, além de cenários e figurinos "cafonas" ou extravagantes. Almodóvar não teme o exagero, algo que se vê não só na estética do filme, mas também nas atitudes das personagens, nas repetições (trocas constantes de figurino, encontros e gestos repetidos), na trilha sonora excessivamente melodramática e na abundância de closes em detalhes (unhas, sapatos, peças do vestuário feminino etc). Todos esses elementos são fundamentais para o processo de estilização do filme, nada é gratuito. Mulheres... destaca-se também por ser um filme leve e mais acessível do diretor, que já abordou temas muito mais pesados em outras obras.

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PENSIERO DELLA GIORNATA: "Você não pode esperar construir um mundo melhor sem melhorar os indivíduos. Para esse fim, cada um de nós deve trabalhar para o seu próprio aperfeiçoamento e, ao mesmo tempo, compartilhar uma responsabilidade geral por toda a humanidade. (Marie Curie)
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